Bruno Souza Nogueira

Bruno Nogueira

Um jovem apaixonado por Deus e movido pela solidariedade!!!

Quem somos têm que se traduzir no que fazemos. Assim é o jovem Bruno Souza Nogueira, 22 anos, que teve a coragem e a ousadia de transformar o seu sonho em realidade. Com 16 anos sentiu-se chamado para cuidar dos moradores de rua. Junto com o seu grande amigo Rick, eles iniciaram um trabalho que hoje ganhou grande importância em nossa cidade e região. Eles são os fundadores da Comunidade Eterna Misericórdia que cuida de pessoas abandonadas e que vivem nas ruas das cidades.Bruno é filho de Ubiratan da Cunha Nogueira, empresário e Eliane Fagundes Nogueira, falecida. Essa entrevista revela o lado humano e espiritual deste jovem que assumiu a difícil tarefa de cuidar dos abandonados e marginalizados da sociedade. Tenho certeza que você terá o maior prazer em conhecê-lo. 

Fale um pouco da sua família e da sua infância?* Bruno: Eu sou o filho do meio de uma família de três filhos. Minha mãe era do lar e meu pai tem uma empresa que faz trabalho para UFLA, construindo estufa. Nasci em Belo Horizonte, depois fui morar em Andrelândia e, aos dez anos, vim para Lavras. Eu tive uma infância diferente da maioria dos amigos da minha idade. Sempre convivi com pessoas mais velhas e desde pequeno gostava muito de informática. 

Você sempre foi um jovem religioso ou na sua adolescência você não cultivava essa espiritualidade?* Bruno: Depois que fiz a primeira comunhão, passei a questionar a existência de Deus através de leituras científicas de autores ateus. Com isso eu fui esfriando na fé e fui me deixando levar pelas coisas do mundo. Freqüentava muitas festas, baladas, namoros e etc. Na minha adolescência e início da minha juventude, Deus não tinha importância na minha vida.

Se na adolescência você se afastou de Deus, o que aconteceu para que você se tornasse um jovem tão religioso e dedicado às coisas de Deus?* Bruno: Foi através de um retiro que eu fiz a minha experiência de Deus e aceitei Jesus como meu Senhor. A partir daí eu fui caminhando e fortalecendo a minha fé nas pregações e nos retiros que você, Dieikson, fazia junto com o Ministério Tom de Deus do qual passei a fazer parte.

Hoje você trabalha acolhendo moradores de rua e dando a eles uma oportunidade melhor de vida. Por que você sentiu a necessidade de realizar este trabalho?* Bruno: Depois da minha experiência com Deus a fé passou a ter uma nova dimensão. Eu não aceitava mais ir à missa e freqüentar os grupos de oração se não fizesse algo de concreto pela sociedade, de modo especial, pelos que mais sofr em. Conhecendo a vida de São Francisco e a triste realidade dos moradores de rua da nossa cidade, senti a necessidade de me doar num serviço a Deus e a esses irmãos abandonados pela sociedade.

Como foi o seu primeiro trabalho com os moradores de rua? Qual era a sua ação social?* Bruno: Comecei a conviver com os moradores de rua da nossa cidade encontrando-os na própria rua, nos locais onde eles ficavam. Então comecei a fazer a barba, cortar cabelo, dar banho, alimento e cobertor para que eles pudessem ter uma vida melhor. E os que estavam doentes eu dormia e rezava com eles para que pudessem melhorar. Um desses locais de abrigo era a marquise da própria Santa Casa.

Você iniciou esse trabalho sozinho ou teve participação de mais pessoas?* Bruno: O trabalho iniciou comigo e com o Rick, na época eu tinha 16 anos e o Rick 17. Éramos dois jovens que estavam dispostos a doar a suas vidas, o seu tempo e sacrificar o seu próprio lazer para o bem estar desses nossos irmãos. O Rick caminha comigo até hoje, ele faz parte da Comunidade Eterna Misericórdia. Atualmente ele está fazendo enfermagem no Unilavras com o intuito de ajudar no cuidado com os nossos irmãozinhos de rua.

Você falou da Comunidade Eterna Misericórdia. Como e por que da necessidade de se criar esta comunidade?* Bruno: Depois de um ano de trabalho de rua com essas pessoas, percebemos a necessidade de se ter uma casa para acolhê-los e tratá-los o tempo todo, em regime residencial. Era necessário tirá-los da rua para poder cuidar deles como um todo e devolvê-los a dignidade de pessoas humanas. Passamos a então a cuidar não só do corpo, mas também da mente e da alma.

Hoje você mora e se dedica inteiramente à Comunidade Eterna Misericórdia. No início da Comunidade, sua família aceitou e apoiou a sua decisão?* Bruno: No início eles tiveram muito medo do meu trabalho e da convivência realizada com os moradores de rua. Depois eles foram vendo que esse trabalho me fazia feliz e me realizava como pessoa. A partir daí começaram aceitar e apoiar o trabalho. Hoje eles me ajudam dentro da Comunidade, mesmo eu não estando mais em casa.

Quais as principais dificuldades que vocês encontraram no início para a realização deste trabalho?* Bruno: Em primeiro lugar foi o preconceito da própria sociedade. Muitos pensam que os moradores de rua são criminosos, vagabundos e que vão roubar ou agredir as pessoas. E em segundo lugar foi a desconfiança com relação de que o nosso trabalho pudesse surtir efeito positivo em cada um deles. Algumas pessoas discriminaram o nosso trabalho e a nós mesmos como seres humanos, pois acharam que a gente estava ficando doido ou querendo aparecer.

Há quanto tempo existe a Comunidade Eterna Misericórdia e quantos moradores de rua vocês atendem?* Bruno: No dia 21 de fevereiro, completaremos 4 anos de existência da Comunidade Eterna Misericórdia. E atualmente temos 16 pessoas acolhidas na comunidade. Nós residimos num sítio no Bairro Joaquim Sales, onde desenvolvemos vários trabalhos com os nossos irmãozinhos de rua.

Quais são os trabalhos desenvolvidos na Comunidade Eterna Misericórdia para a recuperação e o restabelecimento social dos moradores de rua.* Bruno: O trabalho terapêutico tem três dimensões: o físico, o mental e o espiritual. No físico entra o trabalho doméstico, o cuidado com os animais e os trabalhos de educação física. Já o trabalho mental é realizado com os psicólogos e terapeutas voluntários que atendem os nossos internos. E o trabalho espiritual é realizado através das orações, louvores, músicas e celebrações ecumênicas. Apesar de ser uma comunidade católica o trabalho desenvolvido com os nossos irmãos é ecumênico, pois acolhemos todas as pessoas que precisam de cuidado, independente da religião que professam.

Quais são as principais dificuldades ou desafios que vocês enfrentam hoje?* Bruno: O sítio em que moramos é alugado, precisamos urgentemente de um local próprio. Inclusive lançamos a campanha para a compra deste sítio que é um local ideal para acolhermos os nossos internos. Também precisamos de veículos para buscar doações e transportar os acolhidos de modo geral.

Qual a mensagem que você gostaria de deixar para as pessoas que hoje estão conhecendo um pouco mais do Bruno e da Comunidade Eterna Misericórdia.* Bruno: Gostaria que as pessoas se aproximassem e conhecessem o trabalho, criando laços para nos ajudar nessa árdua tarefa. E também gostaria de desejar que a nossa sociedade compreenda o sofrimento e a dor das pessoas para que possamos ter uma sociedade melhor.

FONTE: Entrevista de Bruno Nogueira no Jornal "A GAZETA". Na coluna PRAZER EM CONHECER  de Dieikson de Carvalho.

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