Resumo: Lista das Virtudes e dos Pecados, segundo a doutrina Cristã.
1. O que é Virtude?
Virtude é uma qualidade moral particular. É “uma disposição habitual e firme para fazer o bem”, segundo o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (CCIC, 377). Para São Gregório de Nissa (330-395), o fim de uma vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus.
2. Quais são as Virtudes?
Existem numerosas virtudes que se relacionam entre si tornando virtuosa a própria vida. No Cristianismo, existem duas categorias de virtudes, as Humanas e as Celestiais.
3. Como são as Virtudes Humanas?
As Virtudes Humanas que são perfeições habituais e estáveis da inteligência e da vontade humanas. Elas regulam os atos humanos, ordenam as paixões humanas e guiam a conduta humana segundo a Razão e a Fé. Adquiridas e reforçadas por atos moralmente bons e repetidos, os cristãos acreditam que estas virtudes são purificadas e elevadas pela graça divina (CCIC, 378).
As Virtudes Humanas são derivadas inicialmente do esquema de Platão e foram adaptadas por Santo Ambrósio, Santo Agostinho e Tomás de Aquino. Entre elas constantemente são destacadas as Virtudes Cardeais (também chamada de Cardinais), que polarizam todas as outras virtudes morais humanas: a Prudência, considerada a virtude-mãe por ser instrumental e a base de todas as outras Virtudes Humanas; a Justiça, uma constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido (CCIC, 381); a Fortaleza que assegura a firmeza nas dificuldades e a constância na procura do bem (CCIC, 382); e a Temperança que pode ser descrita como sendo a Prudência aplicada aos prazeres.
Estas quatro virtudes são consideradas as principais por serem os apoios à volta dos quais giram as demais Virtudes Humanas.
4. E as Virtudes Teologais?
As Virtudes Teologais existem como complemento às Virtudes Cardinais. Elas são a Fé, a Esperança e a Caridade (Amor), as três maneiras possíveis de se encontrar Deus. No excerto bíblico (1 Cor 13,13), apresenta-nos a seguinte citação: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor”. Num outro trecho (Gen 5,6), cita-se o seguinte: “a Fé atua pelo amor”. Estas três virtudes têm este nome porque “têm como origem, motivo e objeto imediato o próprio Deus. São infundidas no homem com a graça santificante, tornam-nos capazes de viver em relação com a Trindade e fundamentam e animam o agir moral do cristão, vivificando as virtudes humanas. Elas são o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano” (CCIC, 384). As Virtudes Teologais são três: Fé, Esperança e Caridade.
A Fé consiste na confiança e na entrega livre do Homem a Deus, na aceitação e no acreditar das verdades reveladas por Ele e na conseqüente realização livre da vontade divina; a Esperança consiste no desejo e espera vigilante da vinda da vida eterna e do Reino de Deus prometidos por Jesus Cristo; e por fim, a Caridade que, sendo considerada a mais importante e o fundamento de todas as virtudes e o vínculo da perfeição (Col 3,14), consiste no amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus (CCIC, 388).
5. E o que falar das Sete Virtudes?
Há várias listas de Sete Virtudes. A primeira é a que acabamos de tratar, que é a soma das três Virtudes Humanas com as quatro Virtudes Celestiais.
A segunda lista foi composta pelo autor cristão Aurélio Clemente Prudêncio por volta do ano 410 em seu poema épico Psicomáquia (“Duelo das Almas”). Trata-se da oposição das Virtudes aos Pecados.
A lista inclui:
a) Amor. (Latim: Amor; Resplandece pela Afeição). É a afeição benevolente às criaturas de Deus. Um sentimento profundo e irrestrito de afeto e solicitude para com o bem estar do próximo.
b) Esperança. (Latim: Spei; Resplandece pela Fé). É o sentimento que alguém tem em poder mudar sua própria vida ou a do próximo para melhor; é acreditar num futuro melhor mesmo quando há apenas evidências em contrário.
c) Conhecimento. (Latim: Gnaritas; Resplandece pela Percepção). É a percepção do fato ou da verdade; clareza e certeza de apreensão mental; consciência de um evento ou circunstância; noção da conseqüência das ações de alguém.
d) Confiança. (Latim: Firmus; Resplandece pela Persistência ou Esforço). É a habilidade de uma pessoa desenvolver e continuar as tarefas para aqueles das quais elas necessitam; não ser preguiçoso e fazer o que for preciso para a própria segurança e a do próximo.
e) Amizade. (Latim: Amicitia; Resplandece pela Paciência). É a paciência e resistência através da moderação. Resolver conflitos pacificamente, em oposição a apelar à violência. É também a capacidade de perdoar e mostrar misericórdia aos pecadores.
f) Sinceridade. (Latim: Sincerus; Resplandece pela Boa-fé). O sincero é livre do engano, da hipocrisia ou da duplicidade; da prova de suas intenções ou falas verdadeiras; seriedade.
g) Coragem. (Latim: Fortitudo; Resplandece pela Bravura ou Modéstia). É a sensação de não ter medo de si mesmo ou de fazer o que é certo. É dar crédito a quem precisa; é não glorificar a si próprio sem merecimento; é ser capaz de encarar dificuldades, perigos, dores, etc., sem medo.
Nota: Algumas contagens incluem uma oitava virtude às acima citadas:
h) Justiça. (Latim: Iustitia; Resplandece pelo Equilíbrio ou Eqüidade). É ser justo e contar sempre a verdade. Fazer o que é certo e se afastar do que é errado; é a luz da verdade que ilumina a escuridão do erro. Eqüidade, Imparcialidade.
6. E o que falar dos Sete Pecados, e como evitá-los?
Teologicamente, há uma terceira lista de virtudes que sintetiza como se deve bem agir para buscar a Beatitude, a qualidade de ser correto para chegar à Salvação. A prática das Sete Virtudes protege a pessoa contra as tentações dos Sete Pecados Capitais.
a) Humildade (Latim: Humilitas; Tem-se pela Modéstia). Se opõe ao Orgulho ou à Vaidade. Refere-se à qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar ser superior a elas.
b) Caridade (Latim: Humanitas; Tem-se pela Bondade ou Altruísmo). Se opõe à Inveja. É a Auto-satisfação, a Compaixão, a Amizade e Simpatia sem causar prejuízos; é ajudar o próximo sem buscar qualquer tipo de recompensa. Como Virtude Teologal, a Caridade é o mandamento de Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”.
c) Paciência (Latim: Patientia; Tem-se pela Paz). Se opõe à Ira. É a Serenidade, a Paz, o Perdão. É ter Resistência às influências externas e moderação da própria vontade. É conseguir manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo. Consiste basicamente de Tolerância a erros ou fatos indesejados. É a capacidade de suportar incômodos e dificuldades de toda ordem, de qualquer hora ou em qualquer lugar. Paciência também é uma Caridade quando praticada nos relacionamentos interpessoais.
d) Diligência (Latim: Diligentia; Tem-se pela Ética). Se opõe à Preguiça. É a Presteza, a Decisão, a Concisão e a Objetividade. É também quando ações e trabalhos se integram com as próprias crenças. É a virtude de seguir um objetivo de vida, conquista ou qualquer tipo de princípio por meios convencionais até chegar ao fim.
e) Generosidade (Latim: Liberalis; Tem-se pela Doação). Se opõe à Avareza. É o Desprendimento, a Largueza. Dar sem esperar receber; se aplica também quando a pessoa que dá algo a alguém tendo o suficiente para dividir ou não; E não se limita apenas em bens materiais.
f) Temperança (Latim: Temperantia; Tem-se pela Moderação). Se opõe à Gula. É o Auto-controle, uma constante demonstração de desgarro aos outros e aos seus arredores, uma prática de Abstenção. Significa Equilibrar, colocar sob limites, “moderar a atração dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporcionar o equilíbrio no uso dos bens criados” (CCIC, 383).
g) Castidade (Latim: Castitate; Tem-se pela Abstinência). Se opõe à Luxúria. É a Auto-satisfação, a Simplicidade. É abraçar a Moral de si próprio e alcançar pureza elevando o pensamento através de educação e melhorias. É também a Abstinência total dos prazeres sensuais (sendo isso um Compromisso ou Voto de Castidade).