"Muitas histórias se contam a respeito do padre Mustafá, o padre Andarilho.
Diz-se que ele caminhava por uma estrada cercado (como sempre) pelos discípulos quando, ao atravessar uma ponte, viu um escorpião sendo arrastado pelas águas. O padre correu pela margem do rio, meteu-se na água e pegou o bichinho com a mão.
Quando o trazia para fora, o bichinho desesperado picou o padre que sentindo a dor da picada deixou-o cair novamente no rio. Mas ele não desistiu de salvar o escorpião.
Foi até a margem do rio, pegou um galho de árvore, e com este galho entrou no rio e salvou o escorpião.
Deixou o escorpião são e salvo no solo e ficou observando aquele pequeno ser caminhar de volta à sua vida. Seus discípulos foram se aproximando, incrédulos com o que haviam visto, e lhe perguntaram:
- Padre, você é nosso Mestre. Mas não entendemos o que fez. Sua mão deve estar doendo muito! Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Ele que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu a sua ajuda! Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!
Padre Mustafa ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu:
- "Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha." Olhando os discípulos nos olhos continuou:
- “Quando fui salvar o escorpião não pedi para ele deixar de ser escorpião.
Quando eu faço o Bem devo aceitar o outro como ele é. E o outro vai responder de acordo com sua natureza. Se aceito a vida assim serei sempre feliz. Porque minha felicidade será ajudar o outro e isto me bastará.
Os discípulos se olharam e disseram: “Padre, mas e se o outro for mal?”
- Se o outro for mal quem sabe terei plantado uma semente de bondade em seu
coração. E no meu coração terei cultivado minha “plantinha” de bondade.