Tesouros bíblicos

Esta página tem o objetivo de apresentar pequenas questões e tesouros da Bíblia que nos ajudam a conhecê-la melhor.

 

“Receberam a palavra com toda a avidez, e cada dia examinavam as Escrituras para ver se as coisas eram, de fato, assim!” (At 17,11).

 

Pergunta 1: A criação foi feita em seis dias?

 

A bíblia não está interessada em dados científicos. Esse relato da criação apenas quer expressar a fé de que tudo veio de Deus. Que todos os seres têm sua origem em um Criador que é bom e dar a cada criatura o objetivo de ser benéfica. É isso que quer dizer a palavra tôv.

 

Gn 1,31 “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom (tôv)”.

O termo hebraico tôv significa não apenas bom, mas beneficente, ou seja, Deus deseja que cada criatura exista para beneficiar as demais.


Os seis dias expressam esse desejo de Deus. É um número simbólico para mostrar que em cada ser existe a luz de Deus.

A primeira letra hebraica Alef significa a iluminação, é também a primeira letra das palavras "Eu" e “luz” (identidade e vida). O Alef é uma linha vertical no meio com uma ponta para cima e outra para cima . Simboliza a ligação dos seres entre si e entre o Criador e cada criatura. Isto significa que a criação precisa estar ligada ao Criador para que seja boa. E também que deve haver harmonia entre todos os seres.
Para afirmar tudo isso somente com uma palavra, o autor bíblico diz “seis”. Os seis dias querem simbolizar que nenhuma criatura é Deus e que só em união entre si e com Deus é possível existir de fato.

Gn 1,1 afirma: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”.


Nessa expressão, que é a primeira da bíblia, existem “seis” vezes a letra alef, por isso depois se afirma que foram “seis” dias. O número “seis” indica a criatura. O “sete” indica o Criador. Por isso a criação inteira é “seis” nunca será “sete”.

 

Curiosidade: Em Gn 1,1 apenas a palavra “céu” não contém a letra alef porque os céus são a morada de Elohim (Deus), que é a Luz, fonte de toda iluminação.

Que Deus nos conceda a graça de, a cada dia, crescermos nesta iluminação que é o seu desejo expresso nas primeiras palavras da bíblia. Amém.


Pergunta 2: Dia do Senhor ou Dia do Sol?

 

Encontramos várias objeções ao culto no Domingo porque seria uma idolatria, já que, segundo esses objetores, Domingo é o dia do Sol e não do Senhor. O verdadeiro dia do Senhor seria o sábado, segundo eles.

Domingo é a tradução abreviada para o português do latim "Dies Dominica" (Dia do Senhor). É fácil convencer alguém, que pensa em inglês, de que domingo é o dia do sol, porque em inglês, alemão e espanhol, os dias da semana são tomados das línguas germânicas, em cuja cultura, cada dia da semana era dedicado a um astro (que, por sua vez, era considerado um deus).

dia do Sol = Sunday (ing), Sonntag (ale)
dia da Lua (ou Mon ou Luna)= Monday (ing), Montag (ale), Lundi (fran), Lunes (esp)
dia de Marte (ou Tyr) = Tuesday, Mardi (fran), Martes (esp)
dia de Mercúrio (ou (ou Woden) = Wednesday (ing), Mercredi (franc), Miércoles (esp)
dia de Júpiter (ou Thor) = Thursday (ing), Jeudi (franc), Jueves (esp)
dia de Vênus (ou Freyja) = Friday (ing), Vendredi (franc), Viernes (esp)
dia de Saturno = Saturday (ing)

Por essa lógica, se os cristãos guardassem o sábado em vez do domingo, eles honrariam Saturno em vez do Sol.

O idioma português, por influência dos judeus, não nomeia, apenas mas numera, os dias da semana:
Para o judeu, só existe:

Segundo dia = segunda-feira (feira= de trabalho)
Terceiro dia = terça-feira
Quarto dia = quarta-feira
Quinto dia = quinta-feira
Sexto dia = sexta-feira
Sétimo dia = Shabat (sábado)

Em português, a única mudança foi que em vez de Primeiro dia temos o Domingo = Dies Dominica = Dia do Senhor.

Você está gostando dessas perguntas? Você gostaria de saber por que há um dia da semana dedicado ao Senhor? Você gostaria de saber por que os cristãos mudaram o dia do Senhor de sábado para domingo? Quais são suas perguntas?

 

3-SANTIDADE E SACRIFÍCIO

 

Padre Johan Konings, SJ


Não é o Deus de Israel um Deus distante? Quem pensa isso se engana. Deus poderia rasgar os céus para descer até seu povo (Isaías 64, 1)!

Ele é.santo, isso sim, e santo significa separado, diferente, ele não se deixa confundir com as atividades humanas comuns. E para expressar isso, o povo lhe destina simbolicamente alguma coisa separada, alguma coisa "santa", lhe "consagra" algo, faz uma ação santa, o que se chama "sacrifício".

Atenção: no sentido original, sacrifício não significa necessariamente imolação, destruição. Sacrifício pode ser o bom odor do incenso, ou do churrasco de família que se chama "sacrifício de paz" (Levítico 3, 3).

 

Israel conhece algumas formas de sacrifício bastante radicais, por exemplo, o holocausto, no qual se queima um animal inteiro, sem deixar nada para a gente. Mas a maioria dos sacrifícios é “de paz”, refeições sagradas para unir as pessoas e Deus com eles. Deus não quer que o sacrifício faça mal à pessoa. Por isso, Gênesis 22 conta que Abraão, influenciado pelas crenças do mundo arcaico em torno dele, achou que devia sacrificar o mais precioso que tinha, o único filho que ele tinha de sua mulher oficial, a princesa Sara. Mas Deus lhe ensinou que não gosta de sacrifícios humanos e o fez encontrar um carneirinho perdido por aí... Sacrifícios são símbolos: não devem destruir o homem diante Deus, que o criou e o ama.

 

Aqui está o erro do "dolorismo". O filme A Paixão, de Mel Gibson, pode dar a impressão de que Cristo nos resgatou pela quantidade de sangue e sofrimento. Não é assim. Ele nos salvou pela missão que assumiu até o fim até o fim sangrento que os homens, não Deus, lhe impuseram. “Não quiseste sacrifício e holocausto... deste-me um corpo... eis-me aqui... para fazer vontade" (Hebreus 10, 6 7).

 

"Sacri ficar" (do latim sacrum facere) é "tornar santo". Já o Antigo e, sobretudo, o Novo Testamento nos ensinam que a melhor coisa que podemos transformar em sacrifício, em coisa santa para oferecermos a Deus, é a própria vida, tudo que fazemos. Assim já ensina, no Antigo Testamento, o Eclesiástico (cap. 35). Assim falam, no Novo Testamento, Pedro (1 Pedro 2, 5), Paulo (Romanos 12, 1-2) e a Carta aos Hebreus (13, 16). Pedro baseia se nisso para apropriar aos batizados em Cristo o "sacerdócio régio” do povo eleito do Antigo Testamento, Israel (1Pedro 2, 9). Daí a doutrina do “sacerdócio dos fiéis”: esse termo significa o culto prestado a Deus pela própria vida. É coisa de todos os batizados, atributo do próprio batismo (não é preciso ser padre e nem sequer ministro da Eucaristia para isso).

 

O grande modelo de sacrifício foi Cristo, porém, não tanto por sua imolação (ao modelo dos sacrifícios antigos), mas por sua disposição para fazer a vontade do Pai e exercer sua missão. Não é o sangue que faz o sacrifício, mas a oblação, a dedicação a Deus “Eis que eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hebreus 10, 7). Jesus é o sacrifício, a “realidade santa” por excelência, por sua verdade, sua fidelidade – consumada quando enfrentou a morte que os humanos lhe impuseram (João 19, 30). E quem vive nessa autenticidade da vida doada, ao modelo de Cristo, é consagrado com ele: “Pai, por eles eu consagro, para que também sejam consagrados pela verdade (João 17, 19).


Postado por: Bruno Souza Nogueira , em 08/12/2009
Artigo nº: 291 Categoria: Bíblia
Titulo do Artigo: Tesouros bíblicos

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