DEFINIÇÃO:
O Escapulário do Carmo é um sinal externo de uma devoção Mariana, que consiste na consagração à Santíssima Virgem Maria, através da inscrição na Ordem Carmelita, na esperança de Sua proteção maternal.
O distintivo externo desta inscrição ou consagração é o pequeno escapulário marrom, conhecido por todos. Quando o fiel se consagra a Santíssima Virgem, através do Escapulário do Carmo, passa a ter direito a todos os privilégios espirituais e indulgências que esta Santa Ordem possui, mediante a aprovação dos Santos Padres.
Isto é, o fiel passa a ser irmão ou irmã do Carmo , com os mesmos direitos espirituais dos frades, freiras, monjas e dos irmãos da Ordem Terceira do Carmo: é , portanto, incluído , na grande família carmelitana . Dentre os tesouros espirituais que esta sagrada Ordem pode oferecer estão as milhares de Missas, que são celebradas pelos padres carmelitas de todo o mundo, nas intenções de toda a Ordem e família carmelitana!
Como o irmão ou irmã do Carmo não pode usar um hábito religioso como fazem os frades, as monjas e alguns irmãos leigos pertencentes a Ordem Terceira do Carmo, o Escapulário (também conhecido como "bentinho") substitui o escapulário grande do hábito carmelita. Isto é, quem usa o Escapulário do Carmo, devidamente imposto por um sacerdote, de maneira devota , é o mesmo que estivesse usando o hábito carmelita. Portanto, o Escapulário do Carmo não é um "santinho", uma "medalha", ou um objeto religioso qualquer! Por isso, seu uso somente é válido quando é imposto por um sacerdote e com um ritual próprio para tal procedimento. É uma devoção muito séria e importante na Igreja. Sua história vara os séculos (750 anos!).
O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo é um sacramental ; isto é, segundo o Concílio Vaticano II, "um sinal sagrado segundo o modelo dos sacramentos, por meio do qual são transmitidos efeitos sobretudo espirituais, que se obtêm pela intercessão da Igreja" (documento conciliar, constituição "Sacrossanctum Concilium", capítulo III, antigo 60, nº 621).
QUEM PODE RECEBER O ESCAPULÁRIO?
Todos os católicos, que o peçam, o podem receber, imposto por um sacerdote. Podem-no receber ainda as crianças batizadas, mesmo inconscientes e os doentes destituídos de sentidos, pois se parte do princípio que, se conhecessem o seu valor, o quereriam receber.
É ótimo o costume de o pôr logo no dia do Santo Batismo.
COMO É O ESCAPULÁRIO?
O Escapulário é de tecido de lã, de cor castanha ou preta, mas, o mais comum é o de cor castanha. O Escapulário do Carmo, uma vez bento e imposto, não precisa de uma nova benção quando se substitui por um outro novo . A benção não está no Escapulário em si: a benção está na pessoa ! A medalha sim, precisa de nova benção.
No dia 16 de dezembro de 1910, Sua Santidade o Papa São Pio X concedeu que o Escapulário pudesse ser substituído por uma medalha que tivesse: de um lado uma imagem de Nossa Senhora do Carmo e do outro lado, uma imagem do Sagrado Coração de Jesus. Importante: não vale receber a imposição com uma medalha : somente com o escapulário! A medalha, quando for colocada, pode ser benta com um simples "sinal da cruz", fazendo-se a intenção de usá-la para substituir o Escapulário.
O valor do Escapulário está no tecido (pois este simboliza a veste, o hábito carmelita), com a benção própria, e não nas imagens que costuma ter. Pode ser lavado, plastificado, pode-se mudar os cordões, etc.
COMO E QUANDO USÁ-LO?
Usar sempre com respeito e devoção! O Escapulário é uma veste, um hábito religioso. Nos lembra que estamos vestidos com o manto protetor de Maria, com sua própria roupa (Nossa Senhora do Carmo veste o hábito da Ordem)!
Devemos andar sempre co o Escapulário. Nunca deixemos de usá-lo, mesmo ao tomar banho ou ao dormir. Infelizmente não sabemos em que dia, hora ou circunstâncias morreremos. Quem o recebeu e deixou de trazê-lo consigo (mesmo no caso de perda da fé ou da devoção), basta que comece de novo a usá-lo, sem precisar de nova imposição. A graça do Escapulário do Carmo está ligada ao nosso corpo e à nossa alma. Porém, é necessário usa-lo.
Curiosidade: Sua Santidade o Papa São Pio X concedeu que os militares em campanha de guerra possam impor a si próprios o Escapulário, uma vez bentos pelo sacerdote e que, tendo acabado sua missão, continuem a usufruir todas as graças e privilégios a ele inerentes, sem terem de receber nova imposição pelo sacerdote.
Observação importante: certamente que o Escapulário não dispensa o fiel católico dos Sacramentos, que são os meios instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo como via normal para nos santificar.
QUALQUER SACERDOTE PODE IMPÔR O ESCAPULÁRIO?
No dia 28 de janeiro de 1964, o Papa Paulo VI concedeu que todos os sacerdotes pudessem impor o Escapulário e substituí-lo pela respectiva medalha, pois, até esse dia, era privilégio dos padres carmelitas ou de outros sacerdotes autorizados pela Santa Sé. Isto mostra o desejo da Santa Igreja e do Espírito Santo que a move de que todos o tragam consigo.
ORIGEM E PROPAGAÇÃO
No final do século XII, nascia, no Monte Carmelo, na Palestina, a Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria do Monte Carmelo (nome completo da Ordem dos Carmelitas). Por causa da dominação mulçumana, naquelas terras, os frades se viram obrigados a emigrar para o ocidente.
Na Europa, tampouco foram bem recebidos por todos. Já existiam na época várias Ordens religiosas, e os Bispos queriam que não mais se fundassem novas Ordens, e sim, que as novas vocações fossem dirigidas para as Ordens já existentes. A própria população achava que os carmelitas eram "aproveitadores". Por causa disso tudo, o Superior Geral da Ordem Carmelita, o presbítero São Simão Stock homem de grande santidade, oração e penitência, vendo pesar sobre sua querida Ordem o perigo da extinção, e o peso esmagador do desprezo e da perseguição, se voltou para Maria Santíssima e, fervorosamente Lhe pediu que não desamparasse aquela Ordem a Ela consagrada, mas sim, que a protegesse e lhe desse maior estima. Repetia, incansável e incessantemente, todos os dias, a seguinte oração:
"Flor do Carmelo,
Videira Florescente,
Esplendor do Céu!
Mãe sempre Virgem e Singular!
Aos carmelitas protegei com vosso amor,
Ó Estrela do Mar!"
No ano de 1251 , se realizou o prodígio: em um dia (16 de julho), a mesma divina Senhora, a Bem-Aventurada Virgem Maria, comovida pelas súplicas de seu amado filho, lhe aparece acompanhada por uma multidão de Anjos e, tendo em suas mãos benditas o escapulário da Ordem do Carmo, lhe dirigiu estas notáveis palavras: "caríssimo filho, recebei o escapulário de vossa Ordem, sinal da minha confraternidade, privilégio para vós e, igualmente, para todos os irmãos do Carmo: todo aquele que morrer revestido deste Santo Escapulário, não arderá nas chamas do inferno, isto é, aquele que com ele morrer, se salvará! Este hábito é um sinal de salvação, uma segurança de paz e aliança eternas!".
Essa grande promessa de morrer na graça de Deus quem, levando o Escapulário, piedosamente venha a morrer com ele, a recordava o Santo Padre Pio XII, em 11 de fevereiro de 1950: "e, em verdade, dizia o Papa, não se trata de um assunto de pouca importância, e sim, no conseguir a vida eterna em virtude de uma promessa feita, segundo a tradição, pela Santíssima Virgem". É, certamente, o Santo Escapulário, como que uma "tábua de salvação" mariana, prenda e sinal da proteção da Mãe de Deus. Mas não pensem os que vestem essa "tábua de salvação" que possam conseguir a salvação eterna abandonando-se à perdição e à queda espiritual (viver em estado de pecado mortal)..."
Observação: o próprio Pio XII usava o Escapulário desde os 08 anos de idade.
Publicado este privilégio milagroso, a Ordem do Carmo cresceu em merecimentos e em santidade; não só dentro dos conventos, mas também fora deles, muitas pessoas recebiam o Santo Escapulário (o de tamanho reduzido, obviamente): pontífices, reis, nobres, pobres e ricos, clérigos e leigos, de todos os tempos e lugares, se revestiam e dele se serviam como de um distintivo de filhos de Maria e forte escudo contra os inimigos da alma e do corpo.