1. Identidade
Os Institutos Seculares são mais uma forma de vida consagrada, aprovados pela Igreja em 1947, através da Constituição Apostólica "Provida Mater Ecclesia".
São grupos de pessoas, de ambos os sexos, que, conservando a sua identidade laical, procuram viver plenamente sua consagração batismal, professando os votos de pobreza, obediência e castidade.
A identidade dos Institutos Seculares se exprime em duas palavras: "secularidade - consagração", duas dimensões da mesma vocação.
Os membros fazem sua experiência de Deus e cumprem seu compromisso batismal no mundo secular. Querem estar no mundo com a atitude contemplativa que vê com os olhos de Deus, que ama com o amor de Deus e age por seu Espírito, totalmente entregues à grande meta: o Reino de Deus.
2. Secularidade e Consagração
Os Institutos Seculares são uma nova proposta da Igreja que tem como finalidade colaborar na transformação da própria realidade. Essa é sua característica. Em geral, os Institutos não possuem obras próprias e não determinam um trabalho específico para seus membros. Os membros atuam no ambiente familiar, de estudo e trabalho, na educação, na cultura e nas artes, na política, nos meios de comunicação...
A vivência da secularidade em espírito evangélico é a razão de ser dos Institutos Seculares. Por isso, os membros procuram estar inseridos no mundo e fazem do engajamento secular o ponto de partida da sua vocação pessoal para o seguimento de Cristo. Estão atentos aos caminhos do mundo e aos sinais dos tempos, aos seus autênticos valores e contravalores.
3. Caminhar com a Igreja
Além da presença no mundo, os membros estão também presentes na vida da Igreja, nas suas comunidades, em conseqüência da sua vocação cristã. São pessoas comprometidas do Povo de Deus e atuam em todos os setores abertos aos leigos. Seguem as orientações da Igreja e sua linha pastoral. Aprofundam seus documentos e procuram assim fazer crescer a comunhão eclesial`e o compromisso com a construção do Reino.
4. A vivência dos votos
Embora cada Instituto acentue a vivência dos votos conforme sua própria espiritualidade, todos devem vivê-los como "leigos", sempre tendo em vista a sua vocação secular.
a) O voto de obediência
A obediência será sempre, em primeiro lugar, obediência ao Plano de Deus na vida concreta. A vontade de Deus se expressa de diversas maneiras. Por isto, o membro deve estar atento para escutar o que Deus lhe diz e pede. E Deus tem sua maneira de falar: através dos acontecimentos, dos apelos que vêm das pessoas, da Igreja, da comunidade, da profissão, do próprio Instituto. É escutando a Escritura, a pregação da Igreja, os apelos da comunidade, através do diálogo entre as pessoas, da oração, da Norma de Vida do Instituto que o membro descobre o que Deus pede.
Então, muito mais do que observar determinadas prescrições, a obediência consiste numa profunda atitude de escuta do que Deus fala no dia-a-dia, para dar uma resposta generosa.
b) O voto de pobreza
A pobreza consiste em uma maneira sóbria de viver, simples, sem ostentação, de acordo com o ambiente em que se vive e trabalha.
Esta pobreza consiste também na solidariedade com aqueles que têm menos (em primeiro lugar, os membros do próprio Instituto), em verdadeiro espírito de partilha.
Os membros dispõem do seu salário e de outras fontes de renda, mas também devem cuidar do seu futuro, da sua aposentadoria, da sua velhice, com todos os riscos e incertezas, como todos os leigos vivem. Na atual conjuntura, também enfrentam, muitas vezes, o problema do desemprego.
Ser pobre é também saber viver com os bens da terra em espírito evangélico.
Para quem não possui bens, a pobreza convida a viver a situação dos pobres que são chamados bemaventurados por Jesus (o que não quer dizer que não se deve trabalhar para a auto promoção).
Viver a pobreza é também colocar o tempo, os dons e os talentos a serviço do irmão, da comunidade, do Instituto.
Também é profunda atitude de pobreza aceitar as próprias limitações.
c) O voto de castidade
A opção por uma vida sem casar por causa do Reino distingue os membros dos outros leigos. Deixando-se seduzir pelo Senhor, em disponibilidade para o serviço do Reino, o membro renuncia a uma forma bonita e rica de amor, o matrimônio, para se dedicar ao único amor que é capaz de satisfazer o coração humano.
Este voto leva também a abrir o coração para muitos que procuram alguém que os escute, ajude, ame.
Tal voto não exclui o amor afetuoso entre familiares, amigos e entre membros do próprio Instituto. Pelo contrário. É neste amor que se experimenta o amor de Deus. É um modo de amar plenamente humano, afetivo, com o coração.
5. Viver em comunhão
Viver em comunidade não faz parte da essência da vocação dos Institutos Seculares. A maioria dos membros vive no próprio ambiente da família, ou independentes.
Importante, porém, é viver a realidade da comunhão nos encontros mensais e nos retiros do próprio Instituto onde todos possam sentir o apoio mútuo, onde alimentam a vivência da sua vocação, onde recebem a formação necessária para sua vida secular consagrada. Os momentos de convivência são indispensáveis para a sua caminhada.
6. Situação dos Institutos Seculares
Há, no mundo, em torno de 181 Institutos Seculares aprovados, reunindo mais de 33000 membros. No Brasil, contamos com 51 Institutos aprovados, além de outros em via de aprovação.
No Brasil, os Institutos estão congregados na Conferência Nacional dos Institutos Seculares (CNIS); em nível latino-americano, na Confederação dos Institutos Seculares da América Latina (CISAL; em nível mundial, na Conferência Mundial dos Institutos Seculares (CMIS).
7. Alguns documentos sobre os Institutos Seculares
* A Constituição Apostólica "Provida Mater Ecclesia"(1947)
* A Motu Próprio "Primo Feliciter"(1948)
* A Instrução "Cum Sanctissimus"(1948)
* O Código do Direito Canônico
* A Vida Consagrada - Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a Vida Consagrada e sua Missão na Igreja e no Mundo (1996)