EUCARISTIA É AÇÃO DE GRAÇA

Podemos iniciar, relembrando os de Jesus Cristo na terra, os sacramentos que são momentos privilegiados para expressar, celebrar e realizar a salvação vinda de Jesus Cristo, que é a comunicação da vida por parte do Deus Trino.


A eucaristia é o principal destes sacramentos, pois torna presente em nossa história, o acontecimento central da salvação, mistério da morte e ressurreição de Cristo, celebrando assim o encontro entre Deus e o ser humano em Cristo, numa nova aliança conquistada na cruz. Esse encontro se torna possível pela ação do Espírito Santo.


Este sacramento afeta mais diretamente a comunidade, a constroe e a compromete na tarefa da salvação da humanidade.

O QUE DIZEM OS DOCUMENTOS DO VATICANO II SOBRE A EUCARISTIA

 

UNITATIS REDINTEGRATIO (UR)

(2) “ O admirável sacramento da Eucaristia, pelo qual a unidade da Igreja é significada e realizada”.
(15) “ pela celebração da Eucaristia do Senhor, em cada uma dessas Igrejas, a Igreja de Deus é edificada e cresce”.


LUMEN GENTIUM (LG)
(26) “ a Eucaristia, pela qual continuamente a Igreja vive e cresce”.

 

PRESBYTERORUM ORDINIS (PO)
(6) “ Não se edifica nenhuma comunidade cristã, se ela não tiver por raiz e centro a celebração da Santíssima Eucaristia”.


CHRISTUS DOMINUS (CD)
(30) “Que a celebração do sacrifício eucarístico seja o centro e cume de toda a vida da comunidade cristã”.

 

AD GENTES (AG)
(15) “A comunidade cristã se torna sinal da presença de Deus no mundo, pois pelo sacrifício eucarístico ela passa incessantemente com Cristo ao Pai”.

 

A Eucaristia nos coloca na dinâmica escatológica da comunidade eclesial e nos compromete ao mesmo tempo a atuar como seguidores de Cristo, na construção de um mundo novo. Ela é uma realidade viva. É preciso conhecer seu lugar na história da salvação, sua estrutura, a dinâmica de sua celebração, sua projeção na vida espiritual, sua dimensão catequética e pastoral.


O documento pós conciliar e litúrgico EUCHARISTICUM MYSTERIUM (1967) nos diz: “O mistério eucarístico é verdadeiramente o centro da Sagrada Liturgia e mesmo de toda a vida cristã. Por isso a Igreja, instruída pelo Espírito Santo, dia a dia , esforça-se por perscrutá-lo e viver dele mais intensamente”.


Em AT 27, Lucas narra o naufrágio do navio em que Paulo estava preso, e de como foram salvos.

 

REFEIÇÃO
A Eucaristia nos apresentado num contexto de vida. Jesus usou a refeição, o pão. Durante sua vida, se fez presente em muitas refeições. Usou do peixe e do pão e “comeu com”. Interessante como foram momentos fortes de muita conversão. Jesus comeu com os amigos, como Lázaro, comeu com Mateus, cobrador de impostos, com fariseus, com publicanos, como Zaqueu, causou muito escândalo, nas suas refeições pois fazia acontecer a vez dos marginalizados e pecadores.

 

Jesus não quer excluir ninguém da salvação e da comunhão e o simbolismo de partilha com eles foi a comida. Multiplicou pães e peixes, converteu água em vinho, aceitou convites, se auto convidou, anunciando com ações simbólicas, o perdão e o amor de Deus.

 

 O gesto da refeição é para Jesus, ação profética, que o reino vem e vem para todos. A comida é fonte de vida, alimento e força.

 

Mas o comer é também fonte de unidade comunitária.

PEIXE – Veja o acróstico grego: “IESOUS CHRISTOS THEOU HYIOS SOTER” –ICTHYS – PEIXE. As
iniciais de “Jesus Cristo, de Deus Filho, Salvador, em grego, formou a palavra peixe.

 

ESPIRITUALIDADE
CELEBRA-SE A Eucaristia, nas primeiras comunidades com simplicidade e alegria, num clima de louvor a
Deus. O traço marcante é a alegria; uma alegria cúltica, religiosa, escatológica, de alguém que se sente na presença de Deus e o louva pela salvação que Ele operou. Essa alegria parece nos levar para a dimensão escatológica, a espera da volta do Senhor.

As palavras, Eucaristia e Comunidade, se concentram de modo privilegiado na celebração cristã por excelência, na fração do pão.

RELATOS DA INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA
MT 26,26-29
MC 14,22-25
LC 22,15-20
1COR 11,23-26
Além desses relatos temos a belíssima descrição do Pão da Vida, em JO 6.

 

ORAÇÃO EUCARÍSTICA


A) Ação de graças – O sacerdote em nome de todo o povo, glorifica a Deus e lhe rende graças por toda a obra da salvação.


 

B) A aclamação – Sanctus, toda a assembléia unida aos espíritos celestes, cantam ou recitam o sanctus.


 

C) A epiclese – A Igreja implora o poder divino, para que os dons oferecidos pelos homens sejam
consagrados , se tornem Corpo e Sangue de Cristo e que a hóstia imaculada se torne a salvação dos que vão recebê-la.


D) A narrativa da instituição e consagração e a ordem de perpetuar este mistério.


E) A anamnese – A Igreja faz memória do próprio Cristo relembrando a Paixão, Ressurreição e ascensão aos céus.


F) A oblação – a oferenda da hóstia e da própria vida e a união com Deus e o próximo para que deus seja tudo em todos.


G) As intercessões – pela Igreja celeste e terrestre.


H) A doxologia final – Glorificação de Deus,confirmada e concluída pela aclamação do povo.


A DUPLA INVOCAÇÃO DO ESPÍRITO


Toda oração é uma invocação a Deus. Mas na Eucaristia, explicitamos o pedido. Pedimos a Deus, a quem louvamos e damos graças, pela história da salvação e que o Espírito Santo continue atuando.
Epiclese, Epiclesis, Epi-kaleo, in-vocare – Chamar sobre (invocação)
Epiclese de consagração e de comunhão.


A primeira, o sacerdote em nome de toda a comunidade pronuncia a invocação impondo as mãos sobre o pão e o vinho. Na segunda é a invocação da ação do Espírito sobre a comunidade que vai participar do corpo e sangue de Cristo. Pede-se os frutos do sacramento: o amor, a vida, a unidade. E o efeito principal é o da unidade.


É importante compreender que não é a comunidade que dispõe de Deus, por mais sagradas que sejam suas palavras e ações, mas sim se coloca à disposição de Deus e de sua iniciativa. A Ele que é santo, pedimos que santifique os dons e a comunidade (os dons oferecidos). O Espírito Santo age e é Ele que santifica, transforma e que dá a vida. A segunda epiclese dá sentido pleno à primeira.


A PRESENÇA REAL DO SENHOR RESSUSCITADO NA EUCARISTIA
O centro da Eucaristia está em Cristo mesmo, em sua pessoa, em sua presença e explica a atualidade de seu acontecimento pascal e a transformação dos elementos e da comunidade. Cristo pascal, o Ressuscitado, aquele que transcende o ser humano, se torna presente no meio de nós na Eucaristia. Ele é o Adão definitivo.

 

 O primogênito da nova criação. Ele experimentou a força do Espírito Santo e a glorificação escatológica e está cheio de divindade. Não é uma ciosa, mas uma pessoa. Seu corpo é preparado para a doação e a comunhão plena. Só vamos entender a Eucaristia a partir Dele, mesmo e não de nós ou da comunidade reunida.

 

Não podemos entender esta presença a partir do corporal e local. Ele, cheio do Espírito Santo, torna-se presente a nós a partir do seu ser escatológico. Sua presença não é local. É uma presença sacramental e universal e sua raiz está na sua vida gloriosa, atual. Sua presença não é uma figura, imagem ou sinal recordatório.

 

É real, independente da nossa subjetividade, ou seja, do nosso querer ou crer.É importante crer mas não é isto que O torna presente. É presença total e substancial com realidade total. Ele não está no fim. Ele é o fim.

A ação da presença de Cristo é transformadora. O pão e vinho transformados, comunidade transformada.

 

JOÃO PAULO II E A EUCARISTIA
A Igreja vive da Eucaristia. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja. Ela é o mistério de Fé e mistério de luz.

 

“Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no” Lc 24,31. A Eucaristia une o céu e a terra, seja numa grande Igreja ou numa pequenina capela, Jesus ali está. Infelizmente, ainda há sombras no meio desta luz.

 

Há lugares onde o abandono é grande, no culto de adoração eucarística. Há abusos que contribuem para obscurecer a reta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambigüidades e reduções. O sacrifício (sangue derramado, corpo partido) se perpetua através dos séculos: nós o repetimos e dizemos a cada celebração: ANUNCIAMOS, SENHOR, A VOSSA MORTE E PROCLAMAMOS A VOSSA RESSURREIÇÃO, VINDE SENHOR JESUS.

 

 

É doação total, amor sem medida. Na instituição da Eucaristia, Jesus não se limita a dizer: este é o meu corpo, este é o meu sangue, mas acrescenta: entregue a vós... Derramado por vós.

 

O dom do seu amor e da sua obediência até ao extremo, de dar a vida, é primeiro um dom para o Pai, a nosso favor e em favor de toda a humanidade. E o Pai aceitou.


Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, os fiéis oferecem aDeus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela. O que se torna presente para nós é o mistério da paixãoe morte e o mistério da ressurreição. Presença real, Deus e homem, Cristo completo (Paulo VI)


“Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós” (Jo 6,53). Não é sentido metafórico mas... “a minha carne é, em verdade uma comida e o meu sangue é em verdade verdadeira bebida” (Jô 6,55). Com o alimento vem o Espírito Santo.

 

 “Fazei que alimentados do Corpo e Sangue do vosso Filho, cheios do seu Espírito Santo, sejamos em Cristo um só corpo e um só Espírito. (Oração do Missal Romano)”.


Quem se alimenta de Cristo na Eucaristia não precisa esperar o Além para receber a vida eterna: já possui na terra, como primícias da plenitude futura, que envolverá o homem na sua totalidade. João PauloII


BENTO XVI E A EUCARISTIA

Com a sua palavra e com o pão e o vinho, o próprio Senhor nos ofereceu os elementos essenciais do culto novo.

A Igreja, sua esposa, é chamada a celebrar o banquete eucarístico dia, após dia, em memória Dele.
Esse grande mistério é celebrado nas formas litúrgicas que a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, desenvolve no tempo e no espaço.


O Paráclito, primeiro dom concedido aos crentes, ativo já na criação (Gn 1,2) está presente em plenitude na vida inteira do Verbo encarnado: com efeito, Jesus Cristo é concedido no seio da Virgem Maria, por obra do Espírito Santo (Lc 1,35). Portanto é em virtude do Espírito Santo que o próprio Cristo continua presente e ativo na sua Igreja a partir do seu centro vital que é a Eucaristia.

 


“Invocamos Deus misericordioso para que envie seu Santo Espírito sobre as oblações que apresentamos a fim d’ Ele transformar o pão em corpo de Cristo e o vinho em sangue de Cristo. O que o Espírito Santo toca é santificado e transformado totalmente”.

Bento XVI
Como não creditar no milagre da transformação de nossas vidas se uma transformação muito maior foi
realizada para o nosso bem?

 

Fonte: Sacramentum Caritatis, Ecclesia de Eucharistia
Postado por: Bruno Souza Nogueira , em 08/12/2009
Artigo nº: 247 Categoria: Eucaristia
Titulo do Artigo: EUCARISTIA É AÇÃO DE GRAÇA

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