O mundo vive em uma situação extremamente desconfortável, fria e desumana, percebe-se que a cada dia que passa o valor da vida diminui, tendo então por conseqüência lógica a abertura das “portas do caos”.
A barbárie vista com normalidade, o amor julgado como ultrapassado, o ser coisificado, o lixo e o homem com seus valores equiparados, preste atenção neste poema de Manuel Bandeira:
O BICHO
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos,
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava;
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Diante destes fatos, nos fica a pergunta:
- O que é a pessoa humana?
Uma resposta muito abrangente vem de Mounier, que diz que: - “A pessoa humana não é um objeto. Ela é mesmo aquilo que em cada homem, não pode ser tratado como um objeto”, ou seja, o ser humano se diferencia, porque possui uma interioridade com complexibilidades como personalidade, razões e emoções, enfim todo um conjunto de características que fazem do ser humano um ser ímpar.
A singularidade da vida humana deve ser respeitada, pois é, sobretudo constituída de uma atividade interior, representada principalmente pela capacidade de autocriação e comunicação, o que se define por subjetividade, e o que garante ao ser, a racionalidade de refletir perante seus atos e atos alheios, dando à estes um sentido intelecto e a capacidade de discursar o decorrer da vida.
A riqueza da subjetividade se torna ainda mais bela ao se observar que todo ser, é um ser livre, onde nada, nem ninguém podem ter domínio absoluto sob tal, pois o livre arbítrio é algo pessoal e indissolúvel do ser humano.
No estudo do ser humano é indispensável salientar que o ser é o que é, porque acima de tudo é capaz de relacionar-se, como bem disse Carlos Drumond de Andrade: “- Viver é conviver”, ser pessoa então, é possuir a capacidade de viver dentro da dialética de viver para si e para o outro.
Aprofundando na busca do conceito do que é ser pessoa, nos deparamos com o fato de que por trás de toda singularidade, subjetividade e liberdade, existe algo essencial que de certa forma delimita o ser humano e sua interação com o meio, algo chamado ÉTICA.
A ética tem seu papel indispensável para as relações inter-pessoais, por meio dela percebe-se que a pessoa é sujeito constituído de direitos e deveres, exatamente por poder escolher, tirar ou deixar, autocriar-se, dirigir-se para lá ou para cá, conscientemente e reflexivamente.
Nota-se então que a vida é algo muito além de um simples objeto, na vida, no ser pessoa, encontra-se o conceito de CONSCIÊNCIA, sendo está com expressou Marx: “ - desde o começo, um produto social, e permanecerá um produto social, enquanto houver homens.
O homem então só se torna completo quando com outro se relaciona, diferente do objeto que para sub-existir não necessita de um outro, o homem enfim, conclui-se que é o Eu convivendo em comum unidade, no respeito ético perante as diferenças, no amor e na partilha; as pessoas infelizmente perderam a consciência dos valores se esquecendo do que é ser um Ser Humano, porém a construção de um mundo melhor não é algo utópico, basta que o homem mude sua mente para perceber o quanto tudo seria mais fácil se ele simplesmente soubesse que quem o criou o fez no Amor e para o Amor.