A voz e os gestos são considerados os meios mais importantes na expressão do orador. Constituem seus instrumentos e devem ser analisados e aprimorados. Os movimentos físicos do comunicador devem acompanhar as modificações no tom da voz. Quando ele está falando a um público, deve manter uma voz agradável e vibrante para despertar o interesse dos ouvintes e a inflexão adequada para ajudar a valorizar cada palavra destacando as idéias principais.
O orador deve aprimorar as inflexões de voz até que sejam um fiel reflexo de seus pensamentos.
A postura está tão revestida de importância quanto as palavras. A melhor escolha é uma postura firme, que demonstre segurança, sem ostentação. Pré-requisitos, imprescindíveis ao advogado.
Diz-se que os olhos são “o espelho da alma”. Assim, a vida do comunicador é também transmitida através do olhar, que deve ser amplo e dirigido a todos. Os gestos ajudam a dar ênfase às idéias e devem ser trabalhados com tal empenho, que a técnica passe a lhe pertencer naturalmente. No caso dos juristas, que já possuem maturidade mental com mensagens enriquecedoras, o aprimorar a comunicação é uma natural obrigação.
Há algumas maneiras de se desenvolver o material oratório capaz de garantir a atenção do ouvinte tais como: limitar o assunto; desenvolver o poder de reserva; intercalar ilustrações e exemplos; usar palavras concretas e familiares que criem imagens.
Não se deve falar de improviso e sim apresentar uma fala de improviso.
É preciso buscar o auto-conhecimento, aprender a sentir o próprio corpo, observar suas dimensões e seus limites, ter consciência da sua força, identificar o pensamento e o sentimento e, também, descobrir suas possibilidades de expressão; verificar como ocorrem os movimentos de braços, das mãos, das pernas, da cabeça. Enfim, sentir como age e reage o próprio corpo e, aí sim, gesticular de forma adequada. (POLITO, 1990)
O semblante talvez seja a parte mais expressiva de todo o corpo. Funciona como uma espécie de tela. As imagens do nosso interior são apresentadas em todas as suas dimensões. Cada sentimento possui formas diferentes de ser apresentado pelo semblante, para transmitir idéias pelas palavras e, às vezes, sem a existência delas.
Ele trabalha também como indicador de coerência de sinceridade na fala. Falamos com o corpo inteiro: voz, fala, gestos, expressão corporal, psiquismo e emoção. Tudo interligado à linguagem e à palavra.
Cada palavra dita importa. Cada emoção tem seu peso específico. O importante é ser gente. E uma das condições essenciais de ser gente, talvez a mais importante delas, é comunicar, falar, expressar. (BLOCH, 1979)
A melhor voz não é aquela que chama a atenção sobre sua beleza, mas aquela que veicula o pensamento, a emoção, a informação, sem chamar atenção sobre ela sobressaltando a mensagem. A voz pode desmentir a palavra. É muito mais fácil mentir verbalmente que vocalmente.
E então, a atuação vocal do profissional da voz, deve se dar de forma bem projetada na área da máscara e sua respiração nas regiões centrais para um controle e apoio respiratório adequados. Ela também deve ser confiante, marcante, viva na aparência na sonoridade com alcance e flexibilidade, freqüentemente firme e geralmente dinâmica com um toque de energia. Uma bela voz toca a mente e o coração. Ela vende.
“Não é aconselhável um profissional falar de improviso e, sim, quando necessário, apresentar uma fala de improviso condensando suas idéias em poucas palavras.” (WRIGHT)