
O crack é uma mistura de cloridrato de cocaína (cocaína em pó), bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada, que resulta em pequeninos grãos, fumados em cachimbos. É mais barato que a cocaína, mas como seu efeito dura pouco, acaba sendo usado em quantidades maiores, o que torna seu uso muito mais perigoso e letal. O crack acaba sendo um estimulante seis vezes mais potente que a cocaína, provocando dependência física e levando a morte por sua ação fulminante sobre o sistema nervoso central e cardíaco. É uma das drogas com mais altos poderes viciantes, a pessoa só de experimentar pode-se tornar um viciado.
O crack é fabricado através da cocaína que é uma substância natural, extraída das folhas de uma planta encontrada exclusivamente na América do Sul: a Erythroxylon coca, conhecida como coca ou epadú, este último nome dado pelos índios brasileiros.
Foi sintetizada em 1859 e em sua composição química se encontravam os alcalóides Cacaína, Anamil e Truxillina.
É encontrado sob a forma de uma base, o crack que é pouco solúvel em água, mas que se volatiliza quando aquecida e, portanto, é fumada em "cachimbos".Também
sob a forma base, a merla (mela, mel ou melado) preparada de forma diferente do crack, também é fumada. Duas variedades de planta dominam o mercado: a huanaco, coca boliviana de folhas ovais e coloração marrom- esverdeada, e a coca peruana, de folhagem bem menor e cor verde clara que contém muito mais alcalóide do que as plantas bolivianas. A coca cultivada em Java, além dos alcalóides comuns a todas as outras variedades, possui a cocaína acrescida de quatro glicogênios cristalinos.
O Erythroxylon ou epadu, cresce na Amazônia e é utilizado há séculos pelos índios da região. Por apresentar um aspecto de "pedra" no caso do crack e "pasta" no caso da merla, não podendo ser transformado num pó fino, tanto o crack como a merla não podem ser aspirados como é o caso da cocaína pó ("farinha"), e por não serem solúveis em água também não podem ser injetados. Por outro lado, para passar do estado sólido ao de vapor quando aquecido, o crack necessita de uma temperatura relativamente baixa (95° C) o mesmo ocorrendo com a merla, ao passo que o "pó" necessita de 195° C, por esse motivo que o crack e a merla podem ser fumados e o "pó" não. Há ainda a pasta de coca que é um produto grosseiro, obtido das primeiras fases de separação de cocaína das folhas da planta quando estas são tratadas com álcali, solvente orgânico como querosene ou gasolina e ácido sulfúrico. Esta pasta contém muitas impurezas tóxicas e é fumada em cigarros chamados "basukos". Antes de se conhecer e de se isolar cocaína da planta, esta era muito usada sob forma de chá.
Nome Científico: Cocaína, Anamil, Truxillina (ou Cocamina).
Nome utilizado pelos usuários: merla (com açucares), crack, rock, iceberg e snort (com benzocaína ou procaína), cocaine snuff e incense (com cafeína), zoom (com outros estimulantes) e basukos.
Utilização: O crack leva 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa a produzir seus efeitos: forte aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremor muscular e excitação acentuada, sensações de aparente bem estar, aumento da capacidade física e mental, indiferença a dor e ao cansaço. Seu uso leva a compulsão, pois em 15 minutos após este, o organismo tem a demanda fisiológica de uma nova pedra.
Sintomas Físicos: Tanto o crack como a merla também são obtidos através da cocaína, portanto todos os efeitos provocados pela cocaína também ocorrem com o crack e a merla.
Ocorre um aumento da pupila (midríase), afetando a visão que fica prejudicada, pode provocar dor no peito, contrações musculares, convulsões e até estado de coma. Mas é sobre o sistema cardiovascular que os efeitos são mais intensos, a pressão arterial pode elevar-se e o coração pode bater mais rapidamente, em casos mais extremos chega a produzir uma parada do coração por fibrilação ventricular.
A morte também pode ocorrer devido a diminuição de atividade de centros cerebrais que controlam a respiração. O uso crônico da cocaína pode levar a uma degeneração irreversível dos músculos esqueléticos, hamada rabdomiólise. Problemas respiratórios, como rinite e sinusite são comuns, além da perda de peso e problemas na pele e doenças infecciosas. O crack pode provocar lesões cerebrais irreversíveis devido a sua concentração no sistema nervoso central.
Efeitos Psicológicos: O crack cria dependência psicológica provocando sofrimento ao individuo que quer deixar de usá-lo.
Podem ocorrer alucinações auditivas, visuais e táteis e delírios tanto de grandeza como de perseguição podendo gerar a formação de uma psicose cocaínica. O craqueiro e o usuário de merla perdem de forma muito marcante o interesse sexual, o apetite e o sono.
Tipos de comportamentos: Comportamentos bizarros, desconfianças infundadas , muitas vezes seguidas de violência domestica (sente-se perseguido e então contra-ataca em função de um perigo imaginário), delírios estruturados, forte dependência física e mental (acua a família para obter dinheiro e chega a atitudes extremas para conseguí-lo), pode ameaçar os familiares de morte, vende objetos de casa, emagrecimento radical e ocorre um importante embotamento emocional e afetivo.
Síndrome de Abstinência: Os sintomas da síndrome de abstinência não demoram a chegar. Em 15 minutos surge de novo à necessidade de inalar a fumaça de outra pedra, caso contrário chegarão inevitavelmente o desgaste físico, a prostração e a depressão profunda.
Quando a pessoa deixa de usar cocaína, crack ou outro derivado ela passa por três fases. A primeira ocorre de 1 a 3 dias ocorrendo depressão, ansiedade, falta de prazer, irritabilidade e fissura. A segunda fase vem 1 à 10 semanas e consiste nos mesmos sintomas da primeira fase, mas o desejo aumenta e vem o risco de recaída. Na última fase a fissura diminui, mas a depressão persiste.