Catequese: onde estão nossos padres?

 

Tenho participado de inúmeras palestras com pais, catequistas e catequizandos em comunidades da minha cidade e até em municípios da região. Tenho notado a imensa coragem das coordenações de catequese em promover encontros, suscitar reflexões a respeito das coisas de Deus, manter contato com os pais, dividir angústias e experiências e buscar a formação de catequistas. Isso é muito bom. Eu diria que é ótimo.

 

Aproveito também estes momentos para observar algumas situações, não somente no sentido de achar falhas, mas como forma de aprimorar o trabalho que já vem sendo desenvolvido e sugerir mudanças para melhorar ( se necessário for).

 

Numa das cidades da minha região, onde estive quatro vezes palestrando, em todos os encontros a participação dos pais e catequistas foi excelente. Na primeira vez que estive por lá, o frio era de zero grau, muita neblina e todos os motivos do mundo para ninguém sair de casa. Mesmo assim, salão lotado!

 

Na segunda vez, na mesma cidade, mas numa comunidade fora do eixo central, novamente o salão lotou apesar do frio e da garoa. Na terceira vez que estive nesta cidade, o encontro foi com os catequistas e lá estavam eles, próximos de cem, entusiasmados e dispostos. E na quarta e última vez que estive nesta cidade, fui palestrante numa comunidade chamada Menino Jesus de Praga. Nesta ocasião, mais uma vez a Igreja esteve lotada de pais, catequistas e até alguns catequizandos.

 

Ponto para quem tem coragem de organizar encontros assim, mesmo correndo o risco de haver pouca presença. Eles são úteis. Não sei se quem assistiu minhas palestras gostou de mim, mas o simples fato de terem comparecido mostra que não estamos tão perdidos quando o assunto é a participação dos pais e catequistas.

 

O que destoou nestes encontros e que sempre me chama atenção cada vez que vou dar uma palestra em alguma comunidade, foi a ausência dos Padres. Nesta cidade, que estive em quatro ocasiões, em nenhuma delas vi algum padre. E eles trabalham em três na Paróquia toda. Não apareceram para dar uma acolhida, um boa-noite, um olá para os catequistas ou simplesmente dar o “ar da graça”, e quem sabe até uma bênção especial para os participantes.

 

A ausência do pároco neste tipo de encontro é uma falha das maiores.

As coordenações promovem encontros no sentido de melhorar o andamento da catequese, trazem palestrante de fora, fazem convites aos pais, catequistas e comunidade em geral, e quem não aparece são os padres. Isso vai à contramão de tudo o que a gente prega como catequistas e Igreja.

Os padres precisam estar presentes neste tipo de evento. Se existem outros compromissos no dia, por favor, que dêem pelo menos um boa noite aos pais e aos catequistas. Cinco minutos que seja já terá sido suficiente. Isso é básico e faz parte de qualquer regra de boa convivência entre a Igreja e a comunidade. Por mais que o coordenador tente avalizar o seu trabalho, ele tem limites de ação. Nada melhor do que a presença de um Padre para acolher.

 

Onde estavam os três padres que fazem parte desta comunidade que eu estive em quatro oportunidades? São três padres que trabalham na cidade. Será que nenhum deles poderia reservar cinco minutinhos, para fazer uma acolhida aos presentes nestes encontros?

 

E não foi só nesta cidade. Em outros locais que estive alguns padres também não apareceram para este acolhimento, mesmo que de forma rápida. Perderam com isso uma excelente oportunidade de contato com os fiéis para a evangelização, acolhimento e incentivo à catequese. Na minha própria comunidade, fizemos um encontro de um dia inteiro com mais de 100 jovens de crisma, convidamos os seus pais para uma celebração final, e o Padre, nosso pároco, não apareceu nem para dar um "OI". Falha das maiores.

 

Não defendo uma Igreja onde somente os padres possam atuar, agir, tomar iniciativas. Mas não posso achar normal que eles se ausentem de momentos tão especiais como estes proporcionados pela catequese, afinal de contas, a catequese é ou não é prioridade para a Igreja?

Também não posso defender que os leigos façam tudo.

 

A catequese por si só já anda muito em função do trabalho voluntário, e muitas vezes solitário, dos seus heróicos catequistas.

 

Se o trabalho for conjunto, seria muito mais fácil e melhor.

E a catequese agradece.


 

Fonte: Alberto Meneguzzi
Postado por: Bruno Souza Nogueira , em 08/12/2009
Artigo nº: 164 Categoria: Catequese
Titulo do Artigo: Catequese: onde estão nossos padres?

1 Comentários

LÍVIA comentou em 30/11/2009

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